terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Sono
Às vesperas de seus 26 anos, ele escreve. Escreve porque só assim consegue se expressar. Escreve porque a escrita lhe protege da realidade. Escreve para não viver as próprias verdades.
Reflete sobre o anos idos. Assiste o presente sem o controle-remoto nas mãos. Receia o futuro.
Nunca tinha visto nuvens tão densas. Jamais tinha ouvido trovões tão alucinantes.
Seu grito de dor está preso na garganta, comprimindo suas amídalas. Um gosto amargo escorre por dentro e para fora de si.
Não vê mais cores. O calor é um visitante fugaz. O inverno, um companheiro voraz.
Em seu sono, permanece imóvel, aguardando o dia raiar.
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