Olhei para a lua hoje. Era a mesma lua que banhava nossos corpos seminus daquela vez. A mesma lua que assistiu nossa nudez de almas, os toques que acalentaram nosso sono, o sopro noturno que refrescou nossa pele suada...
Nossas bocas revelaram todo o universo que temos em cada um de nós. Também tive a mesma impressão que você: a de que já nos conheciamos.
No café da manhã, joguei à mesa meu passado tão presente, o qual você elegantemente não rejeitou. Bebeu de mim entre as torradas mesmo sabendo que minha aparente doçura pode esconder um ser amargo e arredio: uma fera ferida. Aos meus olhos sou assim. Ou melhor, estou assim...
Já mergulhei fundo num negro olhar, mas seus olhos cor de céu, cor de mar, são mais convidativos. Eles reluzem, me seduzem e me fazem querer me afogar em tão profundo espelho d'água. Restam poucos dias para terminar minha reclusão...
Ver seu rosto outra vez me fará muito bem.