sábado, 9 de julho de 2011

Cartas tolas


Acabei de saber que meu beijo machuca.
Jamais pensei que um beijo pudesse machucar.
Beijo é amor, carinho, confiança.
Tem cheiro de rosas, gosto de chocolate e calor de gente.
E faz escrever cartas tolas, como todas que escrevi.

Bichinho do amor

Quando sozinho, à noite, o coração apertar,
Permita-me, pelo menos, tentar te consolar.
Quando a luz do luar teu quarto adentrar,
Permita-me dela também compartilhar.


Quando um monstro medonho teu sono perturbar,
Permita-me, pois dele consigo me livrar.
E quando o bichinho do amor denovo te picar,
Permita-me - peço-te - contigo namorar.

O nada transforma tudo

E se eu disser que caí apaixonado,
Eu me levanto ou me deixo ser levado?


E se todos me xingarem de verme sem noção,
Eu suporto ou desisto dessa paixão?


O nada se cria.
Por nada, se perde.
Mas tudo transforma.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Bom moço

Sua ausência começa a me doer. Nem te conheço direito, nem cabe ainda dizer que te amo, mas meu coração já aperta se não te vejo. E salta quando vejo.

Em dias de frio como o de hoje, meu corpo ferve, meu sono fica leve e minha cabeça não relaxa sobre o travesseiro.

Tô tentando ser sutil, ser o menos invasivo possível, pra não lhe afugentar de mim. Sei da tua história, conheço teus receios...

Serei bom moço e esperarei.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Providencial

Providencial. É como posso definir nosso encontro de ontem. Você, mãos e caras e bocas e xingamentos pra todos os lados, feito criança pedindo doce.


Será que foi essa vontade de abraço, de carinho, que nos levou ao mesmo lugar? Não sei. Só sei que depois que você prendeu minha perna na sua, aí mesmo é que perdi a noção das coisas.


Minha vontade era ser, de fato, seu divã, aguardar seu corpo por cima de mim e tirar você desse turbilhão.


Não vou nem quero projetar nada. Só quero escrever um pouco a cada dia.

Rosa da Alvorada

Em meio aos cadernos, saudoso,
Lembrei de ti.
Entre palavras que ainda não me são minhas,
Seu rosto me alcançou.


Rosa da Alvorada,
Que há tempos me perfuma a vida.
Rebento do anjo que me guarda.


Desejo-te uma linda noite de sono!
(Isso, porque lembrei de você).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Suas marcas

Eu nunca disse que iria te esquecer. Na verdade, não houve um dia em que eu não lembrasse de você. Às vezes, mais... Às vezes, menos... mas lembrava. E ainda lembro. Só não sei se te desejo.

Às vezes, como hoje, eu de cara nos cadernos, lembro de você. E daí me sinto um idiota, por acreditar no que acredito, por espalhar meu discurso idealista aos Quatro Ventos!

Tento todos os dias tirar seu corpo tatuado de sobre o meu. Suas marcas ainda não saíram de mim.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Duas páginas

Já imaginou um livro de duas páginas, só imagens, nada escrito?

Dizem por aí que imagens falam mais que mil palavras. Acho eu que até bem mais que isso.

A memória é um imenso álbum de imagens, sons e sensações. Guarda olhares, perfumes, sons e toques.

Olhares que espreitam, que se desejam.

Perfumes que grudam na roupa e marcam a pele.

Ruídos de passos, de abraços, de corpos em laço.

E os toques... Ah, os toques! Esses são os melhores. Fazem com que todo o resto faça sentido.

Pra que escrever mais?

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mil palavras

Queria tanto lhe dizer mil palavras. Mas dessa vez não são palavras de amor. Nem de ódio. Nem de saudade...

O que você tá fazendo? Pra onde e por onde tem andado? Esqueceu daquilo que te impulsionava? Esse é o jeito mais sensato de se autoafirmar?

Ela espera sua ligação. Ela espera ouvir de você e não dos outros, pois deles já ouviu.

Lembre-se onde estão suas raízes. Lembre-se o porquê de tanto esforço. Lembre-se de toda sua história.

Volte a ser quem amei, pois não mais lhe conheço.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Você ainda está aí

Você me espiando e espreitando meus movimentos. O (curto) toque tão familiar entre nossas mãos. O encontro despretensioso dos nossos olhos, deixando no ar uma pergunta sem voz. E, por fim, seu braço apoiado "por engano" em meu ombro... São sinais que não posso deixar de notar.

Espero que não tenham percebido esses nossos momentâneos lapsos de proximidade.
 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Leve compasso

Você, de tenra idade e tamanha convicção. A suavidade dos seus traços contrasta com a firmeza das suas palavras. Tens belos olhos e um sorriso pueril.

E ao mesmo tempo que morro de curiosidade em te despir, morro de medo da decência me punir.

Você ainda engatinha na difícil vida adulta, mesmo sendo tão precoce.

Não quero correr nem ficar parado: é melhor mantermos nosso leve compasso.

Nisso não menti

Não consigo olhar nos seus olhos. E depois do nosso abraço de despedida, virei-me e você riu de mim.

Os poucos segundos em que abracei sua mãe foram os mais doídos e saudosos. Nem tenho mais o que falar pra ela sobre a minha ausência.

Às vezes, a vontade que dá é de dizer pra ela perguntar a você! Dizer que não estamos mais juntos e que você já tá em outra!

Sei que falei que estava bem e tal. É MENTIRA!!! Todo dia minto pra você, pra mim e pra todos...

Lembra quando eu disse que tava experimentando todos os sentimentos possíveis com você? Nisso não menti.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Por que?

Por que eu ainda penso em você?
Por que me emociono quando vejo as fotos da nossa época?
Por que ainda choro a sua ausência?
Por que fujo do seu abraço?
Por que te procuro?

Por que?

Sono batendo

Peguei papel e caneta afim de escrever, mas não tenho tema nem motivação. Minha cabeça dói e meu coração tá vazio. O calor não me deixa dormir... Já passam da meia-noite e quero ir malhar amanhã cedo! E eu aqui escrevendo.

Conheci pessoas legais hoje. Elas estarão comigo por pelo menos três semestres.

Acho que estou sem regra pra escrever. O sono tá batendo mas meu vício pela escrita me impulsiona a continuar tecendo minhas palavras, deixando transparecer meus medos e minha carência. Meus olhos já não riem como antes.

Nossa! Como o sono tá batendo!

E ainda assim, eu lembro de todos que passaram por mim, mas só um nome eu sou capaz de gritar: o seu.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pedaços de mim

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de

Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de

Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou

Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu

Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas

Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade

De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

(Martha Medeiros)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Neurose bipolar


Volte. Aonde você está indo? Parece bipolar!

Aquela não é a mesma voz de antes. Esqueça... Deixe de neurose! Olhe pra frente. Ponha uma pedra nisso tudo.

Você mesmo disse que havia crescido.

O que você idealizou outrora não é válido para o momento atual.

Suma! Não deixe vestígios. Jogue fora as lembranças, principalmente as mais felizes.

Sua história foi um sonho que nunca se tornará realidade...

Não há mais lugar para você. A escolha foi feita e você não foi o escolhido.

E não importa o quão alto grite sua saudade: ela não será ouvida.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Frases I

"Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para poder voltar inteira." (Cecília Meireles, poetisa)

"Não me pergunte quem sou, nem me peça para permanecer o mesmo." (Michel Foucault, filósofo)

"Orgulho desse povo aí, sempre dando um jeito de ser feliz." (Adriano Soares, amigo)

"Meu filho, meu amor não é em pedaços. Meu amor é inteiro. Você é meu filho e eu amo você!" (Manoel Rodrigues do Nascimento, meu pai)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Acho que cresci

Parei por um instante e vi o quão diferente eu sou. Vivi coisas que outros não suportariam nem entenderiam. Nem eu mesmo entendo como suportei tudo isso.

A vida me trouxe e me tirou pessoas que serviram, habilidosamente, como luzeiros, guiando meus passos ao próximo estágio de mim mesmo.

Eu precisava aprender sobre a brevidade do tempo, sobre a fragilidade das relações, sobre o auto-conhecimento. Aprender a cultivar valores, como a gratidão, a esperança, a franqueza. E repudiar a estagnação, o autoritarismo, o preconceito.

Não me é fácil ser o que sou...

Tenho procurado a beleza oculta nas pessoas. Ouvi-las e tentar doar um pouco de mim. É isso que todo ser humano procura: ser acolhido sem ser julgado.

A paciência me é uma dádiva!

Vez ou outra a vida me traz bocas inquietas e mãos desesperadas de pessoas carentes. Carentes de atenção, de um carinho ou de um simples abraço. E, às vezes, a mais improvável das relações pode ser a que nos fará enxergar tudo o que procuramos em nós mesmos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Espelho d'água

Olhei para a lua hoje. Era a mesma lua que banhava nossos corpos seminus daquela vez. A mesma lua que assistiu nossa nudez de almas, os toques que acalentaram nosso sono, o sopro noturno que refrescou nossa pele suada...

Nossas bocas revelaram todo o universo que temos em cada um de nós. Também tive a mesma impressão que você: a de que já nos conheciamos.

No café da manhã, joguei à mesa meu passado tão presente, o qual você elegantemente não rejeitou. Bebeu de mim entre as torradas mesmo sabendo que minha aparente doçura pode esconder um ser amargo e arredio: uma fera ferida. Aos meus olhos sou assim. Ou melhor, estou assim...

Já mergulhei fundo num negro olhar, mas seus olhos cor de céu, cor de mar, são mais convidativos. Eles reluzem, me seduzem e me fazem querer me afogar em tão profundo espelho d'água. Restam poucos dias para terminar minha reclusão...

Ver seu rosto outra vez me fará muito bem.

Dora

Dora. Melhor dizendo: Maria Auxiliadora. Gente boa essa dona. Um amor sem igual. Um carinho sem explicação. Diziam até que foi por causa de um gatinho...

O que essa mulher tinha no peito não tinha nome, de tão forte que era. Foi ali que seus filhos cresceram, como rosas que sugam da Mãe Terra o seu alimento.

Era dali que saía a voz eufórica ao som da minha chegada. E tudo por causa de um gatinho...

Se eu soubesse alguma fórmula mágica, eu tinha enchido esse gatinho com super poderes de proteção. Ele seria seu fiel guardião. E nada lhe aconteceria.

Mas seria muito egoísmo meu privar os anjos de tão divertida companhia. Então quando a gente se encontrar outra vez,vou levar outro gatinho para ela.

(Essa é minha homenagem póstuma à Dora, mãe da Rose, uma mulher que me adorava sem explicação. Saudades de você, Dora!)

Luar do Sertão

Lá no luar do sertão,
A terra é batida, no chão.
Levanta, a poeira, da estrada.
Cheiro de terra molhada.

Galo, cavalo, pato,
E todo bicho do mato
Recebem a luz desse astro:
Pó de estrela é seu rastro.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Já te esqueci

Toda vez que passo naquele ponto de ônibus, fico olhando pra ver se te encontro. Vez ou outra, espio a porta da academia pra te ver entrar.

Meus dedos insistem em querer ligar ou mandar algum torpedo, mas não consigo, mesmo querendo muito ouvir sua voz.

Meu pensamento está toda hora em você. Tudo que quero dizer fica preso na minha garganta. Até as minhas lágrimas não querem cair. Elas insistem em esperar. Nem sei se devo esperar. Nem sei se devo falar tudo que sinto. Acho que não...

Depois de tanto tempo, eu ainda reviro minha memória e me apego às boas recordações. Só elas me confortam a sua ausência.

Chegará a hora em que você será menos que uma lembrança, pois todo dia tento te esquecer um pouco...

Já te esqueci.