
Ouço seus passos, mas eles não vêm em minha direção. Ao contrário, afastam-se. Ouço sua voz, mas ela já não me guia. Ao contrário, apenas me confunde. Seu toque ainda me incendeia, mas o meu já não lhe comove.
Fico espreitando, como um leão na mata. Você não me verá, mas sentirá minha presença aos poucos. Correrás de mim, em seu novo abrigo se esconderás, e lá zombarás de mim.
Rirás das minhas tentativas fracassadas, da minha obsessão incabível, da minha triste alegria...
Mas um dia, seus passos correrão em minha direção, sua voz gritará meu nome e suplicarás por meu toque. E morrerás em meus braços.
