segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Leão na mata


Ouço seus passos, mas eles não vêm em minha direção. Ao contrário, afastam-se. Ouço sua voz, mas ela já não me guia. Ao contrário, apenas me confunde. Seu toque ainda me incendeia, mas o meu já não lhe comove.

Fico espreitando, como um leão na mata. Você não me verá, mas sentirá minha presença aos poucos. Correrás de mim, em seu novo abrigo se esconderás, e lá zombarás de mim.

Rirás das minhas tentativas fracassadas, da minha obsessão incabível, da minha triste alegria...

Mas um dia, seus passos correrão em minha direção, sua voz gritará meu nome e suplicarás por meu toque. E morrerás em meus braços.

domingo, 8 de novembro de 2009

Fatos e fotos

Sou tão humano quanto qualquer outra pessoa. Mas não fui criado para errar nem para permitir erros. Então, como aprender a viver?

Tenho aprendido. Aprendi que errar é natural. Aprendi que acertar é difícil. Aprendi que amar machuca. E que machucar é fácil.

Contemplo meus dias como quem folheia um álbum. Vejo as fotos. Relembro os fatos.

Escrevendo minha vida, por vezes meu traçado é forte, marcando outras vidas. Por vezes, fraco, furtivo e tímido, mas assim mesmo deixa minha impressão.

Você é livre para folhear meu álbum, ler minha história e também deixar suas impressões. Marque-me com seu sorriso ou com suas lágrimas, mas não passe pela minha vida sem deixar um pouco da sua.

sábado, 7 de novembro de 2009

Riscos ridículos


Perguntei a Fernando: "Por que cartas de amor são ridículas?". Ele simplesmente disse: "Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas."

Ridículo é esconder-se num teatro de fábulas mentirosas para satisfazer a outrem.
Ridículo é ter palavras certas pra todos e não usá-las para si mesmo. Ridículo é deixar o amor da sua vida ir...

Riscos, todos corremos!

Riscos marcaram a pele dessa paixão. Riscos rasgaram as entranhas da separação. Riscos de passos ficaram pelo chão.

Cada passo em sua própria direção. Em cada direção, uma nova paixão.

Novos riscos para cada coração.