terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Pássaro-bebê

Numa aldeia distante, vivia um velho ancião muito sábio. Seu nome era Mestre Lux, e sempre recebia visitantes ansiosos por suas palavras de sabedoria.

Alebion, um jovem rapaz dessa aldeia, foi até a casa de Mestre Lux, muito triste e sem motivos para sorrir.

- Meu filho, por que choras?
- Ah, mestre... Não vejo beleza na vida, não vejo razão alguma na existência!
- Pequeno Alebion, você ainda é muito jovem. Não tem porque se preocupar com um assunto tão profundo. Faça o seguinte: vá até a floresta e capture um pássaro-bebê.
- Mas mestre! Nem falei tudo o que queria lhe falar...
- Nem precisa. Vá e depois venha me mostrar seu pássaro.

Alebion fez o que Mestre Lux lhe aconselhara. Desceu a colina em direção à floresta, próxima ao rio Vänskap. Após adentrar à mata, seus sentidos estavam atentos a qualquer movimento... Até que ele avistou vários ninhos, em diversas copas. Subiu em muitos galhos, mas não se encantava por nenhuma ave.

Depois de algum tempo, e exausto pela procura, Alebion avistou um pássaro-bebê caído em um arbusto. Rapidamente, correu ao seu encontro e o retirou dos galhos que o prendiam. Alebion estava maravilhado com essa ave. Ele sabia que ela não era a mais bela, mas sabia que tinha encontrado a ave certa.

Sorridente e empolgado com seu pássaro-bebê, Alebion voltou à casa de Mestre Lux.

- Mestre Lux! Mestre Lux! Olha que lindo pássaro encontrei! É um pássaro-bebê ainda!
- Sim, meu filho, estou vendo. Ele é ainda muito pequeno, menor que você. Precisa de cuidados, de comida e de amor. Você consegue cuidar dele?
- Consigo sim, mestre! Consigo sim!
- Quanto entusiasmo, Alebion! Então venha me visitar depois, quando ele estiver grande. Aliás, já escolheu um nome para ele?
- Já sim, mestre! Seu nome será Adarion.

Alebion não se continha em si, tamanha era sua felicidade. Chegando em casa, colocou Adarion em uma gaiola, deu-lhe comida, água, tratou seus ferimentos... Em agradecimento, Adarion sempre entoava as mais belas canções que poderiam vir de seu canto, e isso trazia mais e mais alegria a Alebion.

Mas, por algum motivo, Adarion não mais cantou. Suas canções eram sem brilho. Sua voz, sem cor. Alebion novamente ficou triste e foi ter com Mestre Lux.

- Mestre Lux, Adarion não quer mais cantar. Não sei o que fazer.
- Liberte-o, meu filho!
- Não, mestre! Adarion não sabe se cuidar sozinho. Eu sempre cuidei dele!
- Alebion, aquela gaiola é muito pequena para Adarion. Você cuidou tão bem dele que ele cresceu forte e saudável. Agora ele precisa de mais espaço. Ele precisa voar!

Relutante, Alebion voltou para casa, pegou a gaiola onde Adarion estava e foi à floresta do rio Vänskap. Ao chegar próximo a uma das margens do rio, ele abriu a gaiola. Adarion abriu suas asas e saltou no ar. Suas penas eram as mais belas entre as aves do céu. Seu vôo era elegante e majestoso. O som que saía de sua voz já não era um mero canto e, sim, um grito de liberdade.

Contente com o que acabara de ver, Alebion subiu à casa de Mestre Lux.

- Mestre, libertei Adarion, como o senhor me disse.
- E o que Adarion fez, meu filho?
- Ele voou, mestre. Percebi que havia muita satisfação e vigor em cada bater de suas asas. Consegui ver beleza nele novamente.
- E o que você acha que Adarion viu em você?
- Em mim, mestre? Não sei o que há para ser visto em mim!
- Pois eu sei. Você cresceu tão forte e tão belo quanto Adarion. Seus cuidados para com ele fizeram com que você aprendesse o valor do tempo, da dedicação e do amor. Não pense que a partida de Adarion seja um ato de ingratidão para com você. Quanto mais alto ele voar, mais alto levará você dentro dele. E todos aqui embaixo verão.

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